Publicado em: 01/03/2026
No Dia Mundial de Zero Discriminação, Comissão de Diversidade convida cada cidadão a se aliar à construção de uma cidade mais justa e livre
“A discriminação prospera no silêncio e na omissão”. É com essa reflexão que a OAB Cascavel (Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção de Cascavel), por meio da Comissão de Diversidade Sexual, de Gênero e Igualdade Racial, chama a atenção da sociedade para o significado do Dia Mundial de Zero Discriminação, lembrado anualmente em 1º de março.
Considerada um chamado à igualdade, ao respeito e ao direito de cada pessoa existir com dignidade, independentemente de origem, orientação sexual, identidade de gênero ou condição de saúde, a data convida à ação e à mudança de mentalidade. “Não basta não ser preconceituoso. É preciso agir de forma ativa, ser antirracista, anticapacitista e contrário a qualquer forma de fobia social”, pontua a presidente da Comissão, Ângela Aparecida Mafra Diniz, para quem a mobilização só ganha sentido quando sai do campo das ideias e alcança as atitudes do dia a dia.
Embora muitas vezes pareça um conceito abstrato, a discriminação ainda se materializa em barreiras silenciosas, como no acesso à escola, ao trabalho, ao atendimento de saúde e até à Justiça. Romper esse ciclo faz parte do propósito da data e vai além. É também missão permanente da Comissão e da Ordem. “Combatendo o preconceito e as discriminações, estamos verdadeiramente destravando o potencial humano e garantindo que ninguém seja deixado para trás”.
Ações concretas
Para transformar a reflexão em prática, a Comissão tem fortalecido ações voltadas à construção de uma cultura de respeito. Neste ano, o cronograma foi ampliado e inclui rodas de conversa, iniciativas de letramento racial e orientações sobre como enfrentar situações discriminatórias presentes no cotidiano. “Estamos organizando espaços de diálogo e formação justamente para que as pessoas saibam como agir diante dessas realidades”, detalha a presidente.
Desafios que persistem
Embora o debate seja global, a realidade brasileira revela marcas profundas. Muitas vezes, o preconceito não se anuncia de forma explícita. Ele surge em gestos sutis, como um olhar atravessado, a negativa de uma oportunidade ou a violência verbal que tenta diminuir existências. Aos poucos, essas experiências isolam pessoas e alimentam a falsa ideia de que alguns direitos valem menos que outros, mesmo diante da igualdade assegurada pela Constituição.
Nesse contexto, o racismo estrutural continua atingindo a população negra, enquanto a comunidade LGBTQIAPN+ permanece entre as principais vítimas de violência e exclusão. O país ainda registra índices alarmantes de violência contra mulheres e homens trans, além do alto número de feminicídios.
No cenário local, os números reforçam a urgência do enfrentamento. Somente em 2025, a Delegacia da Mulher registrou mais de 1,8 mil ocorrências em Cascavel, evidenciando que a violência de gênero segue como uma ferida aberta. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que, no Brasil, quatro mulheres foram mortas por dia no último ano - 1.470 casos entre janeiro e dezembro, o maior número já registrado.
“É exatamente aqui que entra o nosso trabalho na Comissão”, reforça Ângela. A atuação busca ir além dos gabinetes, funcionando como ponte entre vítimas e o acesso efetivo à Justiça, acompanhando denúncias e garantindo que crimes de racismo e LGBTQIAPN+fobia e feminicídos não sejam minimizados ou ignorados.
Uma data que evolui
Instituído em 2014 pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), o Dia Mundial de Zero Discriminação surgiu inicialmente ligado ao combate ao estigma enfrentado por pessoas que vivem com HIV. Ao longo da última década, porém, a mobilização se ampliou e passou a simbolizar o direito universal de viver com dignidade. Hoje, a data representa um chamado que ultrapassa a saúde e alcança todas as dimensões da existência humana.
“Vejo essa mobilização como um alicerce para uma sociedade mais justa. Quando nos unimos em torno do zero de discriminação, afirmamos que a diversidade não é um problema a ser resolvido, mas um valor a ser celebrado”, finaliza Ângela.